Thursday, May 15, 2008

A minha vida

Na minha aldeia, vive recolhida,

Entre sonhos fantásticos, diversos,

Esta luz de alma, outrora amanhecida,

Que fez, morrendo, a noite dos meus versos

 

Na religiosa tarde comovida,

Se vejo os astros, pelo Azul, dispersos

Muitas lágrimas triste, de fugida,

Vêm constelar os meus olhos de Universos

 

Eu vivo nestes montes solitários,

Que são, de longe, espectros de Calvários,

Distâncias donde sobe etérea prece….

 

Vivo cantando a dor misteriosa

Que amortalha, em silêncio, cada cousa

E que o meu frio rosto empalidece.

 

 

                              

 

 

Teixeira de Pascoaes, “A minha vida”  

Posted by Rui at 19:56:36 | Permalink | No Comments »