A minha vida
Na minha aldeia, vive recolhida,
Entre sonhos fantásticos, diversos,
Esta luz de alma, outrora amanhecida,
Que fez, morrendo, a noite dos meus versos
Na religiosa tarde comovida,
Se vejo os astros, pelo Azul, dispersos
Muitas lágrimas triste, de fugida,
Vêm constelar os meus olhos de Universos
Eu vivo nestes montes solitários,
Que são, de longe, espectros de Calvários,
Distâncias donde sobe etérea prece….
Vivo cantando a dor misteriosa
Que amortalha, em silêncio, cada cousa
E que o meu frio rosto empalidece.
Teixeira de Pascoaes, “A minha vida”

